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Análise de dados e o novo mundo da educação

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Mesmo em tempos de Big Brother e com a presença constante de câmeras nos espaços públicos, os limites da privacidade e a fronteira entre público e privado continuam sendo assuntos polêmicos e costumam gerar opiniões controversas. Agora mesmo, nos Estados Unidos, está em andamento um projeto que pretende armazenar, em um só data center, os registros históricos de estudantes norte-americanos desde a pré-escola até o fim de sua educação. Essa nova iniciativa, se levada a cabo, vai disponibilizar os dados de todos os estudantes às instituições de ensino que os solicitarem.

Como explicou a revista Salon, o projeto é amplamente financiado pela fundação de Bill e Melinda Gates e tem angariado apoiadores entusiasmados e críticos ferrenhos. O banco de dados chamado inBloom, que custou mais de US$ 100 milhões para ser construído, guardaria desde os nomes dos professores de cada aluno, até suas notas, suas condições de saúde, a opinião de coordenadores e colegas, tudo que compõe o perfil de um estudante desde o primeiro dia de aula de sua vida até o último título obtido.

Quem defende a ideia acredita que isso ajudará pesquisadores a entender o que forma um “estudante de sucesso”: quais os fatores que levam um jovem a obter uma boa carreira acadêmica e profissional e quais os obstáculos que impedem outro aluno de concluir os estudos. Isso ajudaria na elaboração de melhores políticas educacionais aumentando a chance de que todos obtenham resultados satisfatórios.

Os oponentes estão principalmente preocupados com a invasão de privacidade e com o risco de normatizar a vigilância em massa da população autorizando o excessivo armazenamento de registros de cada indivíduo. Quem está desconfiado do projeto também não entende porque, a partir de 2015, os dados também seriam disponibilizados para os ministérios e secretarias do trabalho, da saúde e para a Fazenda.

O Washington Post relatou que essas preocupações levaram alguns estados norte-americanos que já haviam aderido ao programa a darem um passo atrás e pedirem a exclusão dos dados referentes a seus habitantes. De nove estados que já tinham contratos assinados, apenas três permanecem envolvidos com a iniciativa. Por enquanto, o projeto está em marcha lenta, mas isso não muda o fato de que a maioria das escolas naquele país já coleta dados, apenas não os distribui abertamente.

O mesmo acontece em países como Austrália e Inglaterra e Irlanda. Se a equipe de Bill Gates provar que os dados não serão usados contra a vontade dos alunos e seus pais, o inBloom deve voltar à ativa e pode se transformar em recursos de análise para pesquisadores e educadores. E você, gostaria de contar com uma ferramenta parecida em terras brasileiras?

Redação
A redação do portal Desafios da Educação é formada por jornalistas, educadores e especialistas em ensino básico e superior.

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