Ensino Adaptativo e Ensino Personalizado: entenda a diferença

Ensino Adaptativo e Ensino Personalizado: entenda a diferença

A cada dia, os modelos inovadores de ensino ganham mais espaço e se consolidam como a principal tendência para a educação ao redor do mundo. Um dos reflexos desse movimento é a inserção de novos verbetes no vocabulário pedagógico. Alguns deles, além de representarem conceitos abrangentes, podem ser confundidos com definições semelhantes.

É justamente o caso dos termos Ensino Adaptativo e Ensino Personalizado. Ambos estão conectados e fazem parte das estratégias que priorizam a individualidade do aluno no processo de aprendizado. No entanto, não estamos falando da mesma coisa.

A Educação Adaptativa – ou Aprendizado Adaptativo (Adaptative Learning, em inglês) – se refere ao conjunto de ferramentas empregadas para customizar os processos de ensino conforme as particularidades do aluno. Em geral, o modelo está baseado em soluções tecnológicas, como softwares e plataformas online. Esses recursos permitem a criação de diferentes trilhas ou mapas de evolução para cada estudante. A formatação do caminho a ser seguido dentro de uma disciplina e o próprio ritmo da jornada de conhecimento são determinados pelo próprio usuário. Na prática, o sistema faz isso por ele.

Modelo flexível
As plataformas adaptativas empregam uma combinação de tecnologias de big data e de Inteligência Artificial (IA) para identificar preferências, padrões de assimilação, pontos fortes e deficiências. O objetivo é sempre melhorar o desenvolvimento individual, reconhecendo o modo que cada aluno aprende mais facilmente. Isso inclui, entre outros quesitos, os horários e formatos de entrega de conteúdo mais úteis aos perfis dos estudantes.

Um aluno pode alcançar desempenhos superiores em matemática ao assistir a videoaulas pela manhã, por exemplo. Já outro colega se sai melhor quando se relaciona com a matéria por meio de jogos ou desafios, geralmente realizados no turno da tarde. Os programas de Ensino Adaptativo traçam esses padrões com base na análise dos dados fornecidos pela interação dos usuários no sistema. A partir disso, o software cria planos de estudos individualizados.

É uma abordagem mais flexível do que a tradicional. E o foco, aqui, é reorientar a prática pedagógica para suprir as necessidades dos alunos, possibilitando que eles atinjam o objetivo estipulado – seja em relação a um módulo, a um curso ou à turma.

Desenvolvimento integral
As ferramentas adaptativas podem ser consideradas vetores para o Ensino Personalizado. Esse conceito é mais abrangente e não dá ênfase apenas aos padrões de aprendizado, pois também visa a identificar e explorar os potenciais individuais do aluno. O modelo personalizado contempla a biografia do estudante, ponderando suas experiências e a forma como isso moldou as suas inteligências, sensibilidades e competências. Ou seja, a abordagem busca um desenvolvimento cognitivo integral do indivíduo.

Como cada aluno tem história, aptidões, capacidades e talentos particulares, o objetivo do aprendizado não é o mesmo para todos, e pode ser modificado ao longo da trajetória estudantil. O próprio cenário de absorção de conteúdos é analisado pelo Ensino Personalizado. Além dos espaços tradicionais, como salas de aula e ambientes online, a metodologia abarca o conhecimento obtido em casa e na comunidade, atentando para a interação do aluno com os colegas e com a família.

Aprovação máxima
Um dos melhores exemplos de aplicação prática da Educação Personalizada vem dos Estados Unidos, onde a Summit Public Schools tem conseguido resultados consistes. A entidade faz a gestão de sete escolas públicas no estado da Califórnia e de outras quatro em Washington. Nesse grupo, o destaque de desempenho vai para quatro instituições de Ensino Médio californianas, onde os alunos seguem planos de estudo individualizados e podem escolher como preferem desenvolver os conteúdos – por meio de videoaulas, exercícios, debates ou projetos.

Os adolescentes traçam objetivos individuais assim que entram na escola e podem aprimorar suas aptidões em estágios realizados fora do ambiente de ensino. Em maior parte, o desempenho é medido através da aplicação de projetos desenhados para melhorar as habilidades cognitivas. E os professores também utilizam plataformas tecnológicas de ensino adaptativo para aferir a evolução de cada estudante.

A eficácia da estratégia adotada pela Summit Public Schools pode ser atestada pela performance dos estudantes nos exames de admissão ao ensino superior. Em média, apenas 24% dos alunos do ensino público da Califórnia conseguem chegar à universidade. Nas escolas da Summit, a taxa fica entre 99% e 100%. “Todo estudante é diferente e único. Com esse modelo, ele tem maior controle sobre o aprendizado”, diz Diane Tavenner, diretora executiva da entidade, em entrevista à Revista Época.