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Empresas e universidades fazem parcerias para melhorar aprendizado

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Conheça projetos criados entre universidades e empresas – dentro e fora do Brasil – que mostram a eficácia de propostas que aliam teoria e prática (Foto: Freepik)

Os projetos entre universidades e empresas que facilitam o aprendizado dos estudantes. (FOTO: Freepik)

Em algum momento da graduação, toda teoria deve desabrochar numa rotina prática que turbine o aprendizado dos estudantes. A etapa tem despertado especial interesse, sobretudo nos alunos da nova geração.

Na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre, a prática ocorre em programas como o Service Learning. Nele, graduandos de 52 disciplinas mergulham na criação de projetos inovadores com a mentoria de representantes de aproximadamente 100 empresas.

Cada participante tem três encontros com seu mentor para apresentar e analisar os projetos. Um quarto encontro ocorre para feedback. Ao final, o aluno apresenta o trabalho aos professores e aos gestores empresariais. Durante quase todo o processo é utilizado o método de sala de aula invertida.

Além do dinamismo, outro diferencial do Service Learning é que os estudantes têm as empresas como clientes reais. Segundo Pâmela Schaidhauer, assistente do programa, houve casos em que os projetos cruzaram as fronteiras da PUCRS. Um aplicativo, por exemplo, fez tanto sucesso que a empresa participante do projeto convidou os alunos a viabilizarem-no dentro da companhia.

“Mesmo quando a empresa não executa o projeto, os trabalhos dos alunos servem para o crescimento deles próprios e das empresas parceiras”, conta Pâmela.

Experiências e networking

A aproximação da sala de aula ao ambiente corporativo também foi adotada na Universidade de São Paulo (USP). Por iniciativa do professor Mateus Gerolamo, que ministra a disciplina de Gestão da Mudança no curso de Engenharia de Produção, os alunos desenvolveram um trabalho criativo junto à EY (antiga Ernst &Young), que está entre as quatro maiores empresas de serviços profissionais do mundo.

A prática era feita por meio de uma situação hipotética: a sucessão de uma empresa familiar – de pai para filho, cujos perfis de gestão eram bem diferentes –, no contexto da crise econômica. Os estudantes eram instigados a aplicar o conhecimento aprendido em aula para superar a crise e definir um plano de recuperação. O resultado era apresentado a uma banca avaliadora formada por gerentes da empresa e professores da universidade.

“Foi uma experiência bem legal, pois existe a troca de visão no embasamento teórico dado pelo professor em sala de aula e o embasamento da indústria na prática, sendo que ambos se complementam”, avaliou Fabrizio Passari, gerente sênior da área Supply Chain da EY, ao Jornal da USP.

“Eles encontraram várias soluções para o mesmo tipo de problema e soluções que nem haviam sido abordadas em sala de aula”, acrescentou.

Um projeto semelhante, mas voltado ao estágio discente, ocorre no Centro Universitário Una, de Minas Gerais. O programa Estágio dos Sonhos funciona da seguinte maneira: o aluno opta por uma empresa e, a depender das vagas, inicia a prática profissional acompanhado por um professor-mentor responsável pelo desenvolvimento das habilidades do graduando enquanto na empresa.

Além do estágio supervisionado, professores e o departamento de Gestão de Pessoas da Una oferecem treinamento com a finalidade de preparar o aluno para os desafios práticos da profissão escolhida. O graduando aumenta a chance de se empregar e, de quebra, amplia o networking.

Prática desde cedo

Nos Estados Unidos, alguns programas oferecem experiências práticas antes mesmo da faculdade. É o caso da Mayfield City School, de Ohio. Por meio do Mayfield Innovation Center, um núcleo de projetos inovadores, a escola firmou parcerias com organizações locais que contribuíssem para um melhor aprendizado dos estudantes.

Quase 90 alunos de Ensino Médio que fizeram parte de um projeto de seis semanas em educação cardiopulmonar, liderado pela Cleveland Clinic. Durante o período, os estudantes eram colocados diante de casos que exigiam aprendizado sobre a anatomia do coração, assim como tecnologias médicas avançadas que tratavam de doenças cardíacas. Os alunos eram orientados não apenas por seus próprios professores, mas também por funcionários do hospital.

O Distrito Escolar Unificado de Pasadena, na Califórnia, também se diferencia nesse aspecto. O local dispõe de nove espaços de aprendizado prático para seus alunos de Ensino Médio. Os ambientes simulam de perto várias indústrias e configurações profissionais.

Há, por exemplo, laboratório de desenvolvimento de aplicativos, uma cooperativa de crédito, um estúdio de cinema digital e um tribunal. Todos são supervisionados por professores que trabalham com conselhos consultivos e mentores da indústria local.

Superintendente do projeto em Pasadena, Brian McDonald chama a ideia de “aprendizagem vinculada”. Para ele, os próximos anos serão de conteúdo acadêmico aliado a oportunidades de aprendizado baseadas no trabalho. “Eu realmente acho que este é o futuro da educação”, disse ele em entrevista ao The New York Times.

Redação
A redação do Desafios da Educação é composta de jornalistas, educadores e especialistas em educação superior.

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