O que explica a queda de confiança no ensino superior americano

Conhecidos mundialmente pela qualidade de suas instituições de ensino superior, os Estados Unidos estão experimentando uma situação atípica para o segmento. Isso porque a confiança da população em relação à academia já não é a mesma de tempos atrás. A percepção é dos próprios gestores universitários, segundo revela a versão mais recente da pesquisa Survey of College and University Presidents, promovida anualmente pelo portal Inside Higher Ed, especializado em educação superior.

O principal motivo para a queda de confiança, segundo o estudo, não está necessariamente no que fazem as universidades, mas em influências externas. Dos 618 reitores e diretores consultados, a maioria acredita que o ceticismo da população tem a ver com notícias mal-entendidas sobre os valores cobrados pelas instituições – e a consequente “riqueza” acumulada por elas.

Divulgado em março deste ano, o relatório aponta inclusive o momento em que este cenário começou a mudar: a corrida presidencial à Casa Branca, em 2016, quando diversos debates colocaram em pauta o tema da dívida estudantil. “Esse foco levou muitos potenciais estudantes a pensarem na faculdade como algo menos acessível do que ela de fato é”, diz um trecho do estudo.

Passada a eleição e a posse de Donald Trump, a conjuntura não mudou muito. De cada dez gestores universitários, quatro disseram que a abordagem do republicano em seu primeiro ano de governo foi “pior do que eu esperava” no que diz respeito ao ensino superior. Apenas 9% desses gestores afirmaram que Trump havia superado a expectativa.

O descrédito quanto à maneira como o presidente norte-americano lida com a política educacional reverbera em outras frentes. Nesse sentido, polêmicas envolvendo questões de gênero e de cor acabam impactando – ainda que indiretamente – o acesso ao ensino. Soma-se a isso uma série de incertezas quanto à maneira como as universidades preparam a evolução das carreiras de seus estudantes. Aqui, a percepção de desconfiança diz respeito especificamente à visão dos alunos.

Esse ambiente nebuloso levou cerca de 35% dos reitores a acreditar que pelo menos 10 universidades possam encerrar suas atividades ou fundir seus negócios ainda em 2018. Por outro lado, a grande maioria (87%) não acredita que isso possa ocorrer com sua própria instituição. Para seguir cumprindo um papel vital na vida dos estudantes, o caminho para as IES privadas dos Estados Unidos, conclui a pesquisa, está na reaproximação com a sociedade. Retomar a confiança é fundamental.

Para conferir o estudo na íntegra acesse o site do Survey of College and University Presidents.