Empregabilidade

Fluência (só) em inglês não pode ser vista como diferencial

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O que um dia chegou a ser era um diferencial no mercado de trabalho, hoje é praticamente uma obrigação. Em mundo globalizado, falar inglês – a língua negocial por excelência – é trivial. Daí a sensação de que os brasileiros também devem falar idiomas.

A consolidação da China no cenário internacional, por exemplo, fez disparar o ensino de mandarim no Brasil – o que não aumentou por falta de qualificação profissional.

“Apesar do aumento do interesse, o curso regular ainda não é oferecido em volume suficiente para dar conta da demanda”, segundo Luis Antônio Paulino, professor e diretor do Instituto Confúcio na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em entrevista à revista Educação. “Até por essa razão, o potencial de crescimento é muito grande.”

O mesmo poderia ser dito de outras línguas como alemão, francês e espanhol – que depois do inglês são, respectivamente, as línguas mais estudadas no mundo.

Leia mais: O desafio da educação bilíngue no horizonte das universidades

Vantagens de saber inglês

O inglês, no entanto, ainda é a língua mestre. “Sem fluência no inglês, você é simplesmente desconsiderado no primeiro filtro, vendo assim limitadas suas oportunidades de carreira e suas chances de uma possível expatriação”, disse o poliglota César Maida Freire, em entrevista ao jornal Valor Econômico. Gerente de comunicação interna e sustentabilidade da Unilever, Freire é fluente em inglês, francês, espanhol e italiano, além do seu português nativo.

De fato, se um brasileiro almeja melhores cargos e salários, saber inglês é tão importante quanto português.

De acordo com uma pesquisa da Catho, divulgada em 2017, um profissional bilíngue recebe até 61% a mais de salário do que um monoglota. Aqui, o inglês sai na frente dos outros idiomas porque é por meio dele que a inovação se espalha. Basta lembrar do Vale do Silício, nos Estados Unidos, e da maior parte da literatura acadêmica, que é massivamente distribuída em inglês.

Outra pesquisa da Cel.Lep MadCode, referência entre escolas de idiomas do Brasil, feita em parceria com 50 empresas, aponta que os profissionais juniores fluentes em inglês são os preferidos para 64% dos recrutadores. Entretanto, apenas 7% sente que suas necessidades com o idioma são atendidas integralmente. E 50% dos recrutadores afirmam que as exigências são atendidas de maneira insatisfatória.

Proficiência baixa

Não é de se admirar. Segundo o Índice de Proficiência em Inglês, divulgado em outubro pela EF Education First, os brasileiros constituem um grupo de países com “proficiência baixa” em inglês.

O levantamento, realizado anualmente, aponta que o Brasil caiu do 41º para o 53º lugar no ranking de proficiência em inglês. Ficou atrás de países como Uruguai, Ucrânia, Macau, Chile e Paquistão. É o pior resultado do Brasil desde 2012.

Conforme a metodologia do estudo, que consulta pessoas de 88 países, os que têm proficiência baixa até são capazes viajar para um país de língua inglesa sem muita dificuldade, iniciando conversas e entendendo e-mails simples. Mas quando o teor da mensagem fica complexo, é preciso fazer uma apresentação ou participar de uma reunião, o brasileiro médio fica aquém.

Embora saber inglês e aprender um novo idioma possam ser responsabilidade do profissional, analistas e educadores dizem que as empresas também poderiam estimular o aprendizado.

Mas não é o que ocorre. Apesar de 95% dos empregadores de países não nativos em inglês reconhecerem a importância do idioma, apenas um em cada vinte (4% deles) pretende investir na melhoria das habilidades de inglês do seu quadro profissional, conforme um levantamento feito pela Cambridge Assessment English.

Leia mais: A importância das metodologias inovativas em cenários de incerteza

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