Universidades procuram alternativas para captação de alunos sem os riscos do novo Fies

Diante das mudanças de regras do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), diversas universidades privadas estão procurando alternativas para reduzir sua dependência do programa do governo federal. Essa tendência ocorre, principalmente, pelo fato das instituições precisarem, a partir de 2018, elevar o repasse do valor das mensalidades ao fundo garantidor de 6,25% para 13%, podendo chegar a 25% no prazo de cinco anos. A medida visa proteger o sistema de financiamento em caso de elevada inadimplência.

Pedro Balerine, diretor de inteligência de mercado do site Quero Bolsa, principal marketplace de bolsas de estudos do País, afirma que o novo cenário eleva os custos das instituições de ensino e, indiretamente, transfere a elas o custo da inadimplência, que atualmente chega a 50% dos contratos. “Agora que a faculdade terá uma participação maior no custo da inadimplência, a conta muda.

Antes, praticamente todo o risco do Fies era do Governo. Com a inadimplência alta, muitas faculdades vão mudar sua relação com o Fies, sendo mais seletivas na concessão dos contratos e optando pela oferta de bolsas de estudo para atender alunos com menor poder de pagamento”, explica.

O executivo acrescenta que essa movimentação das instituições também é justificada pelos riscos envolvidos de atrelar parte das suas receitas provenientes do programa, que invariavelmente estão sujeitas a cortes por conta de problemas no orçamento federal.

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Partindo desses pressupostos, algumas faculdades privadas estão revendo suas estratégias para captação de alunos e já anunciaram a intenção de aumentar a oferta de bolsas de estudos parciais, em programas privados como o Quero Bolsa, para compensar a possível queda na participação de alunos com financiamentos pelo programa do governo, a partir de 2018. Além disso, a plataforma conecta as duas pontas – instituição e alunos – com vantagens para ambos: garante a inclusão de alunos no ensino superior mediante bolsas de até 70% sem burocracia e sem depender do governo e não traz riscos financeiros para as instituições.

Balerine argumenta que, neste modelo de apoio do Quero Bolsa, a universidade não precisa arcar com despesas referentes à inadimplência dos alunos provenientes do Fies, além de atrair e reter alunos até o final do curso, beneficiados pela oferta de bolsas.

O diretor de inteligência de mercado da empresa reforça que com o desconto obtido por meio de um site de bolsas de estudo, o aluno é estimulado a pagar em dia a mensalidade, uma vez que a inadimplência é considerada uma quebra de contrato. “A partir do momento em que o aluno deixa uma mensalidade em aberto, ele perde o desconto até a regularização. E se não houver quitação do débito em até três meses, ele perde o direito a bolsa na renovação da matrícula”, informa.

Já para os estudantes, a alternativa da bolsa permite a vantagem de não contrair uma dívida futura sobre o valor cheio da mensalidade do curso, como ocorre no Fies. Paulo Henrique Ferreira da Cruz, aluno que utiliza o benefício do Quero Bolsa para realizar o curso de Tecnologia da Informação, no IBTA (Instituto Brasileiro de Tecnologia Avançada), na capital paulista, argumenta que ao analisar as condições considerou mais vantajoso pagar ao longo do curso a mensalidade com valores reduzidos do que deixar toda dívida para o futuro. “Além disso, a burocracia do Fies é muito alta”, afirma.