Censo EAD Brasil: um raio-X da modalidade

As práticas online estão em evidência na vida moderna. Dos relacionamentos ao mercado de trabalho, a educação a distância (EAD) não foge à regra. Muito mais que mera opção para quem não dispõe de tempo, a modalidade educa de maneira efetiva: alguns estudos já demonstram que os alunos EAD apresentam resultado igual ou superior ao registrado na sala de aula presencial.

Desde o início dos anos 2000, universidades dos quatro cantos do Brasil viram suas matrículas se multiplicarem depois de aderir ao ensino a distância. Em 2016, cerca de 68% das instituições de ensino já atendiam até 4.999 alunos. Outros 21% se destacam por atender times de estudantes que variam entre 5 e 49 mil inscritos. E esse número tende a aumentar.

Quem estuda a distância?

Até a 9ª série do ensino fundamental, a taxa de meninos em sala de aula é superior ao número de meninas – considerando que, no Brasil, a natalidade do primeiro grupo é ligeiramente maior. A partir do ensino médio, muito mais estudantes do sexo feminino são matriculadas. No ensino superior, a diferença ganha mais distância. O Censo EAD ABED revela que as mulheres compõem mais da metade dos registros tanto em instituições públicas quanto privadas.

Instituições federais                                            

Homens 41%
Mulheres 59%

 Instituições privadas

Homens 45%
Mulheres 55%

 

O histórico educacional indica que os jovens costumam ingressam na universidade entre 18 e 24 anos. Na modalidade EAD, a média das idades evidencia outro perfil. Em 30% das instituições, mais de 75% dos alunos trabalha e estuda. Com idades que vão majoritariamente dos 26 aos 40 anos, o aluno EAD é aquele que volta a estudar depois de adulto – ou, ainda, que precisa se sustentar para pagar pelo ensino.

Na sala de aula (é claro, virtual)

As centenas de cursos disponíveis deixam evidente a preparação do setor para atender qualquer demanda. Todos os níveis acadêmicos – do ensino fundamental ao mestrado e doutorado – contam com opções EAD. Mas, ao contrário do que muita gente imagina, a modalidade mais requisitada não é a graduação.

As especializações lato sensu oferecem 1.098 variedades de curso, enquanto o nível técnico-profissionalizante soma 219; e as licenciaturas, 210. Os currículos voltados às ciências humanas têm a preferência dos discentes. Em seguida, destacam-se as ciências sociais aplicadas; as formações ligadas ao desenvolvimento social e educacional; e as ciências exatas.

Os números não deixam dúvida: cada vez mais, as pessoas estão investindo em qualificação. A formação profissional por meio dos tecnólogos, que garantem aperfeiçoamento em um espaço curto de tempo, demonstra como a modalidade pode potencializar a capacitação junto ao mercado de trabalho. Em 2016, mais de 560 mil estavam inscritos em cursos totalmente a distância (11% a mais que em 2015); outros 217 mil em cursos semipresenciais, enquanto mais 2,8 milhões estavam matriculados em cursos livres, divididos entre corporativos e não corporativos.

Nos cursos 100% a distância, a preferência dos estudantes é a licenciatura, que detém 135 mil registros; contra 32 mil estudantes de bacharelado. Entre as profissões mais requisitadas, figuram cursos como pedagogia, serviço social e administração.

Profissões mais concorridas na modalidade EAD em 2016

Nas salas de aula virtuais, os alunos tem acesso a uma gama de conteúdos super variada. As teleaulas e os textos digitais são o tipo de material mais frequente. Nos cursos a distância, por exemplo, as videoaulas têm 73% de aderência, seguidos dos textos digitais (65%), vídeos (57%), livros impressos (56%), livros eletrônicos (45%), áudios (26%) e simulações online (10%), entre outros.

Do lado das instituições, o que chama atenção é a concentração do ensino. Cerca de 60% das escolas estão no mercado há mais de 20 anos. E mais: com mais de um terço das matrículas nacionais, o Sudeste domina o acesso ao ensino superior.

Concentração de matrículas por região:

Sudeste: 37%

Sul: 27%

Centro-oeste: 11%

Nordeste: 18%

Norte: 7%

Juntos, Sul e Sudeste – regiões onde a economia é mais desenvolvida – concentram 64% das instituições brasileiras. Para o censo do INEP o número é quase o mesmo: 66% de domínio nacional.

As dez maiores instituições do Brasil detêm 80% dos polos presenciais – e 73% dos estudantes. Cerca de 65% dos polos se concentram nas capitais. Ainda assim, as tentativas de inovação têm avançado nas regiões afastadas. O novo marco regulatório, lançado em junho deste ano pelo Ministério da Educação (MEC), pretende equilibrar esse quadro. Com a expansão de pequenas instituições, o MEC espera o crescimento de cursos nas regiões mais periféricas.

Inovar é preciso

Obstáculos vêm e vão o tempo todo. Depois de vencidos, eles rapidamente dão lugar a novas demandas. Entre 2010 e 2014, por exemplo, a taxa de evasão nos cursos a distância afligia a maior parte das instituições. A qualificação docente, que ainda não havia avançado tanto em treinamento quanto em novas metodologias, causava dor de cabeça aos gestores. Já em 2015, esses fatores foram suplantados pela preocupação com o apoio ao aluno e a execução de processos administrativos mais céleres.

O último Censo revelou que, mais uma vez, essas preocupações foram sanadas. Agora, o foco está na inovação de abordagens pedagógicas, além da reestruturação em tecnologia e nos processos administrativos. Essas necessidades não chegam a caracterizar uma barreira, mas um desafio: um estímulo que impulsiona alunos, professores e gestores e demonstra que inovar é preciso.

*Com informações do Censo EaD ABED 2016/2017.