Pós-graduação a distância: reinventando a formação profissional

Pós-graduação a distância: reinventando a formação profissional

 

As pós-graduações chegaram de vez ao ambiente virtual. Seguindo o caminho das licenciaturas e bacharelados, as ofertas em stricto sensu e lato sensu abrangem diversas áreas, que vão da computação e das engenharias até o cinema, o design e a moda. Para facilitar o ensino, as grades curriculares passaram por um processo de modernização, e disciplinas com base em metodologias ativas, que utilizam games, livros interativos e videoaulas, viraram palavra de ordem para o melhor aprendizado.

O ensino superior se alinha às características do mercado. Afinal, sala de aula não precisa trabalhar apenas a teoria do ensino: quando a prática é um desafio igualmente relevante, os alunos se mostram mais abertos a inovar. E, ao cursar especializações diferentes de sua formação original, muitos estudantes garantem habilidades interdisciplinares – algo essencial aos novos tempos. Através da interação online, professores também são convidados a aprender outras formas de ensinar.

A partir de novas soluções, inclusive personalizadas, a fim de atender dificuldades individuais, os cursos ficaram mais flexíveis. É nesse cenário que instituições tradicionais, como a Belas Artes, de São Paulo, começam a dar os primeiros sinais de uma reformulação que poderá garantir a harmonia ideal entre inovação, preparo técnico e conteúdo. Uma abordagem sistêmica que pode potencializar o know how do aluno, profissionalizando-o de fato. Mas nada disso acontece à toa.

 

Formação prática

Desde 2007, a economia criativa teve crescimento estimado de 69% no Brasil. Formado por um conjunto de atividades que envolvem a produção e distribuição de bens e serviços baseados na criatividade, o segmento valoriza todas as etapas do processo industrial. Com necessidade de mão de obra qualificada para atuar desde a criação dos insumos até o resultado final de cada produto, é possível gerar emprego e renda. Atenta à expansão da indústria criativa no país, a Belas Artes decidiu capacitar pessoas para empreender no setor.

A pós-graduação em Gestão em Economia Criativa oferecida pela instituição capacita profissionais das mais diferentes áreas. Entre elas, arquitetura, comunicação e marketing, além de administradores e consultores de negócios, apenas para citar alguns exemplos. Com caráter multidisciplinar, o curso prepara “empreendedores natos” para gerenciar negócios criativos de maneira sustentável. “Os brasileiros são super criativos e têm essa marca no DNA. Mas, infelizmente, não sabem gerenciar projetos. O curso, então, ensina a empregar a criatividade”, explica Marcia Auriani, professora e coordenadora da pós-graduação da Belas Artes.

Cerca de 40% da carga horária total do curso é realizada na modalidade semipresencial. O objetivo da combinação online/off-line é impulsionar o conhecimento em múltiplos espaços. No ambiente virtual, os alunos conhecem metodologia de pesquisa aplicada e conceitos essenciais da economia criativa. Na sala de aula, os docentes abordam temas ligados à administração, criação de projetos, gestão de equipe e aspectos legais, além de vendas e estratégia

Habilitação inédita

Pós-graduações com foco em ensino lúdico, energias renováveis, coolhunting, gestão em e-commerce e desenvolvimento sustentável são algumas das formações que capacitam profissionais para atuar no mercado de maneira inovadora. Pós-graduações EAD em Direito Digital, como a oferecida pela UniRitter, de Porto Alegre (RS), preparam magistrados, advogados e defensores públicos a acompanhar e defender processos no âmbito das telecomunicações que envolvam questões como direito do consumidor e crimes virtuais.

Alguns cursos, como a pós-graduação em Neurociência e Neuroeducação, desenvolvida pela Estácio, reúnem pedagogos, psicólogos, professores, terapeutas ocupacionais e até comunicadores num mesmo espaço. O objetivo é estimular o conhecimento pedagógico e neurodidático ao conciliar áreas da saúde e da educação para atender crianças e adolescentes com distúrbios de atenção ou dificuldade de concentração. Durante as aulas, totalmente a distância, os alunos aprendem de maneira individual sobre desenvolvimento neuropsicomotor e neuroplasticidade.

A busca por metodologias ativas está se consolidando entre gestores e reitores. Em um esforço para oferecer a melhor qualificação, as instituições proporcionam preparação única através da experiência. Para isso, o aluno é colocado em situações que estimulam a autonomia e a capacidade crítica. A prática não é exatamente recente – no mestrado acadêmico, há muito tempo é possível que alunos treinem suas habilidades durante estágio-docência. Mas, agora, a linha que separa a simulação da realidade é muito mais tênue.

Em cursos de administração e negócios, por exemplo, os discentes vivenciam a rotina de uma empresa simulando reuniões presenciais e por vídeo. Nas escolas de aviação, simuladores de voo de alta tecnologia tornam o treinamento bem mais real – incluindo sensações físicas provocadas pelas manobras ou turbulências. Como resultado no processo, utilizam-se habilidades sensoriais, emocionais e psicológicas – características essenciais nos processos de aprendizagem tanto de quem aprende, como de quem ensina.

Breve análise do mercado

As pós-graduações stricto sensu com aulas a distância ainda são minoria no Brasil, mas nem por isso deixam de representar um mercado em ascensão. As ofertas de mestrado profissional, mestrado acadêmico e doutorado somavam sete programas em 2015. Em 2016, subiram para 25. Já nos cursos lato sensu o EAD marca maior presença, atraindo profissionais que buscam capacitação para ingressar ou se reposicionar em seus respectivos mercados. O último censo da Associação Brasileira de Ensino a Distância (ABED) registrou cerca de 1.400 programas de especialização espalhados pelo Brasil, entre cursos totalmente a distância e semipresenciais. A maior oferta está concentrada nas ciências humanas, logo depois aparecem os cursos de ciências sociais aplicadas – conheça os cursos mais procurados.