Mentalidades matemáticas: Como tornar a disciplina mais acessível e próxima dos alunos

Mentalidades matemáticas: Como tornar a disciplina mais acessível e próxima dos alunos

Enquanto tecnologias e modos de transmitir conhecimento evoluíram, a escola tradicional ainda segue os mesmos modelos estabelecidos no século 21. Professor à frente da sala, alunos de cabeça baixa decorando conteúdos, o mesmo roteiro há várias gerações. Mas quais os prejuízos pode trazer uma escola do século 19 com alunos do século 21?

Segundo dados do PISA, o principal ranking de educação do mundo, o Brasil é o 66° entre os 70 países e economias presentes na pesquisa. Um estudo coordenado pelo movimento Todos pela Educação conclui que apenas 7,3% dos alunos do ensino médio tem conhecimentos satisfatórios em matemática, enquanto a meta para o período era de 40%. Entretanto, a disciplina, um conhecido desafio para os estudantes, não deve ser tratada como um monstro de sete cabeças.

“O desafio da escola é pensar como ela pode trazer conceitos, fenômenos ou conteúdos que tragam curiosidade para os alunos”, analisa Claudia Siqueira, diretora pedagógica do Instituto Sidarta. “O questionamento não é em torno das falhas do modelo atual, basicamente porque o modelo não é atual.”

A matemática ganhou fama de complicada. Sua imagem não costuma ser das melhores entre os estudantes da maioria das escolas, e os temores aos números se acumulam entre as classes. Para a professora Jo Boaler, docente da disciplina na Escola de Educação da Universidade de Stanford, é necessário engajar o aluno em torno do processo de aprendizagem para fazer dele o principal personagem do ciclo de educação.

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Inovação dentro e fora da sala de aula

“O aluno se priva de pensar livremente em aula por ter medo de errar e não parecer inteligente o suficiente”, explica a professora. Jo é autora do livro mundialmente consagrado Mentalidades Matemáticas, publicado no Brasil pelo selo Penso. O livro é um guia de informações técnicas e atividades práticas que podem ser implementadas dentro e fora da sala de aula para tornar o ensino da matemática mais agradável e acessível para os alunos.

A obra desmistifica a disciplina e é taxativa ao afirmar: o problema não é a matemática, mas o jeito de ensinar. “É preciso dar protagonismo para a criança e para o jovem”, relembra Kátia Smole, diretora do Grupo Mathema. “Matemática é investigar e encontrar soluções. Quando a escola limita e padroniza o ensino ela tira o encanto do aluno por aprender”, conta a diretora, que é doutora em ensino de ciências e matemática.

Entre especialistas, o consenso é que o problema não está nos números, mas na fórmula de ensino. O Grupo Mathema e o Instituto Sidarta, duas das principais iniciativas na modernização do ensino, fazem coro com as ideias de Jo Boaler, e afirmam que é uma grande falácia o cálculo ser a raiz do problema. “Será que as crianças têm mesmo dificuldade com a matemática ou será que é um paradigma criado e que a gente vem comprando há tanto tempo?”, questiona a diretora pedagógica do Grupo Sidarta, Claudia Siqueira.

Resolvendo problemas
Segundo o matemático e divulgador científico britânico Keith Devlin, “somos todos pensadores e usuários naturais da matemática”. A busca por padrões no mundo e o incentivo à curiosidade são características que todo ser humano cultiva, especialmente na infância.

Apesar disso, ao entrar na escola, esta paixão por descobrir o novo é substituída por uma forte crença que a educação é um simples conjunto de normas e regras, sem autonomia para encontrar novos caminhos e sem conexão com a vida.

“O melhor e mais importante impulso que podemos proporcionar a nossos alunos é incentivá-los a brincar com números e formas, pensando sobre padrões e ideias que eles são capazes de perceber”, aconselha Jo Boaler. O título da obra resume a tese da autora. É necessário, segundo ela, que seja fomentada nas pessoas uma mentalidade matemática, que incentive a paixão pelos números por toda a vida.

Para saber mais
“Mentalidades Matemáticas” de Jo Boaler, é publicado com exclusividade no Brasil pela Editora Penso, em parceria com o Instituto Sidarta. Veja aqui