Ensino superior a distância deve superar a educação presencial no Brasil

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A tendência é clara: o ensino superior a distância deve superar a educação presencial em um futuro próximo. Em 2023, os cursos EAD no Brasil serão maioria, com uma fatia de 51% do mercado. Realizada pela Sagah em parceria com a Educa Insights no primeiro semestre deste ano, a pesquisa que revelou os rumos do ensino online ouviu mais de duas mil pessoas entre alunos e candidatos de cursos de EAD.

Em entrevista ao site Porvir, Luiz Filipe Trivelato, diretor executivo da Sagah, comenta que ainda existe um número reduzido de instituições com credenciamento para oferecer cursos a distância no Brasil. Ainda, é evidente a demanda dos estudantes por maior flexibilidade e preços mais acessíveis. Os dois fatores, portanto, tornam inegável o caminho crescente dos cursos EAD, cujo mercado teve forte incremento nos últimos cinco anos.

Trivelato afirmou também que, das 15 milhões de pessoas que não vão à universidade no país, 67% têm condições financeiras de arcar com investimento dos cursos superiores por EAD. Ainda, a diminuição das vagas em programas como o FIES incrementou a busca pelo ensino online.

As vantagens do EAD

Engana-se quem acredita que o preço mais acessível é o principal atrativo para o estudante ao optar pelo ensino a distância. O estudo mostrou que 61% dos participantes veem a possibilidade de estudar quando e onde quiser como o fator mais importante.

Ao entendermos o perfil do aluno que escolhe EAD, detalhado pela pesquisa, é possível compreender esse motivo: 41% têm entre 31 e 40 anos e 87% trabalham fora.

O estudo indicou também quais são os hábitos dos estudantes. Dos entrevistados, 90% estudam de casa, 58% sozinhos e 62% à noite. Questionados sobre os principais atributos para um curso EAD, os alunos destacam o uso de videoaulas.

 


Desafios para o mercado

Também em entrevista ao Porvir, o gerente de operações da Blackboard Brasil, Pavlos Dias, sinalizou que a formação dos professores ainda é um dos maiores desafios do EAD, pois as faculdades preparam os profissionais para a educação presencial.

“É natural que ainda encontrem dificuldades como tutores e até na elaboração de conteúdos para cursos a distância”, disse.

Segundo Dias, o papel macro do professor segue o mesmo: ensinar o aluno, guiá-lo para a busca do conhecimento e ajudá-lo a superar barreiras. A tecnologia, portanto, não será uma substituta de seu trabalho.

Por fim, Luiz Filipe Trivelato destaca a migração do preço para a qualidade como outro grande desafio do ensino online. Isso porque ainda existe uma forte competição por quem oferece o curso mais acessível. Deve haver, contudo, uma mudança de percepção das instituições, cuja concorrência será em oferecer o melhor curso.