Ensino híbrido reduz custos e aumenta aprendizado

A evolução tecnológica abriu precedente para uma nova era na educação. Se antigamente os conteúdos e planos de aula não levavam em conta aspectos específicos ao processo de aprendizagem de cada aluno, hoje a chave para a eficiência é atender as novas gerações de maneira eficiente, interessante e personalizada. Agora, os educadores têm mais oportunidades de inovação nas metodologias. É o caso do ensino híbrido, também conhecido como blended-learning, b-learning, flex ou mesmo semipresencial.

A hibridização oferece as vantagens da educação online combinadas com os benefícios da sala de aula tradicional. Na prática, o sistema inverte a lógica convencional, oferecendo o melhor desses dois mundos. O famoso dever de casa – resolução de trabalhos, exercícios e problemas –, por exemplo, pode ser planejado para acontecer nas dependências da instituição. Isso estimula os alunos a trabalharem em grupo e permite que o docente circule pela sala fazendo um atendimento personalizado. Já a aula propriamente dita acontece em casa, com conteúdos disponibilizados na internet, como vídeo-palestras, telas interativas e leituras.

Nos últimos dez anos, a metodologia híbrida ganhou força em países como Estados Unidos e Finlândia. No Brasil, ele já é regulamentado pelo Ministério da Educação, mas as experiências ainda são pontuais – como no ensino fundamental do Colégio Elvira Brandão, que fica na zona sul de São Paulo, e da Escola Municipal Emílio Carlos, na zona norte do Rio de Janeiro. Esta última, aliás, reduziu pela metade o índice de reprovação em uma das disciplinas em que o ensino híbrido está sendo utilizado.

Essa “virada”, também chamada de sala de aula invertida (ou flipped classroom), decorre principalmente do avanço digital. É que a oferta de conteúdo em ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) disparou nos últimos anos. Junte isso à metodologia invertida e os estudantes se transformam de ouvintes passivos em agentes engajados na busca pela solução de problemas.

Demanda semipresencial deve crescer

No modelo presencial tradicional, o professor tem uma carga-horária pré-fixada para cumprir. Seu modelo de ensino possui componentes predominantemente padronizados e instrucionais. “O mesmo ritmo de ensino é imposto para todos, desrespeitando as individualidades inerentes ao processo de aprendizagem. Em outras palavras, ensinamos de uma forma que os alunos não aprendem”, afirma Gustavo Hoffmann, diretor do Grupo A.

Isso explica, em parte, o crescimento do Ensino à Distância (EaD) no Brasil – conforme o último Censo da Educação Superior, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). De acordo com o levantamento, em 2015, as matrículas no ensino presencial tiveram um acréscimo de 2,3% em relação ao ano anterior. Já o EaD expandiu 3,9% no mesmo período.

Ao que tudo indica, esse ritmo deve continuar nos próximos anos. A maior oferta nos cursos EaD é registrada principalmente em especializações de menor complexidade, como cursos superiores de tecnologia (CSTs), pedagogia e gestão. Não significa, porém, que as aulas presenciais vão acabar – até mesmo nesses segmentos. “Cursos como engenharias e saúde tendem a reduzir o percentual de matrículas no modelo presencial, mas vão migrar para o modelo híbrido”, explica Hoffmann.

A eficácia do ensino híbrido, por sua vez, depende da composição de seus componentes mais instrucionais (conteúdo digital e aprendizagem adaptativa, por exemplo), que favorecem a construção do conhecimento (como metodologias ativas e simuladores) e a personalização (centrados no estudante).

Assim, além da redução de custos – que pode chegar em até 60% para as universidades e a 30% para os alunos –, o ensino híbrido garantirá aprendizado maior do que em aulas exclusivamente presenciais e proporcionará maior satisfação, comparado com que só estuda em plataformas online. “No Brasil, já temos tecnologia de ponta, metodologias altamente eficientes e conteúdo digital de alta qualidade”, salienta Hoffmann. “O que nos falta agora é iniciativa.”