Conteúdo e a arte do aprender

Chanceler da Estácio, Ronaldo Mota fala sobre a importância do conteúdo e da metacognição para “aprender a aprender”

Compartilhar conhecimento é algo inerente à sobrevivência humana. Desde os monges que transcreviam livros nas gigantescas bibliotecas de mosteiros orientais até a chegada das tecnologias no século 21, muita coisa mudou. Aos moldes da Academia de Platão, os processos cognitivos do mundo ocidental forjaram uma cultura baseada na disseminação do saber. Assim, o conteúdo tornou-se a parte central do processo cognitivo de aprendizado. É como uma mola propulsora que, de tempos em tempos, beneficia a humanidade no processo evolutivo.

Hoje, as demandas não são as mesmas de 20 anos atrás. Basta uma breve viagem no tempo. Em poucas décadas, a tecnologia alcançou todos os setores da vida moderna, trazendo consigo novos comportamentos e formas de se relacionar. No sistema educacional não é diferente. Os jovens nas salas de aula podem desfrutar das vantagens de modelos de vanguarda, como o proposto pelo ensino híbrido. Cada vez mais sofisticados, os conteúdos são sistematizados em um ensino amplo e participativo. “Eles exigem da educação formal um nível diferenciado de institucionalização, envolvendo modelos de organização próprios, com a presença de atores bem definidos”, explica Ronaldo Mota, chanceler da Estácio.

Se, antes, a presença do aluno em sala de aula se restringia ao papel de observador, sua permanência agora exige um espaço colaborativo. De modo a permitir a troca de experiências, o lugar é propício à assimilação do conteúdo. Dessa forma, garante-se a preparação do aluno pela abordagem cognitiva baseada na fixação.

Novos tempos, novos desafios

Na busca pela excelência da aprendizagem, todo profissional precisa se transformar em especialista em conteúdos específicos. E mais: “Será exigido, ainda, destemor para enfrentar aquilo que é inédito, habilidade socioemocional, competência para trabalhar em equipe e, principalmente, capacidade de completar missões complexas”, acrescenta Mota.

Quanto às metodologias, entram em cena elementos como: urgência da incorporação adequada da tecnologia digital; adoção de arquiteturas curriculares; e percursos formativos que contemplem as habilidades com a mesma atenção que o conteúdo desfruta. E, agora, o papel da metacognição – um conhecimento que o estudante possui sobre si e sobre o próprio estudo – ganha cada vez mais destaque.

A ênfase na metacognição faz com que o educando experiencie o aprendizado além do conteúdo. Trata-se de uma abordagem dinâmica, que evidencia outras habilidades sobre a própria aprendizagem do estudante, como a reflexão. “Ou seja: tão relevante quanto o aprender o conteúdo é garantir que ele amplie sua consciência acerca de como aprende. É a ‘arte do aprender a aprender’, que irá prepará-lo para uma educação permanente ao longo da vida”, garante Mota.

O século 21 está se tornando muito mais complexo – e a educação promete acompanhar todas as transformações. Processos assim serão responsáveis pela garantia de um aprendizado aberto e plural, próprio dos processos subjetivos e individuais. E o melhor: tudo acontece em um ambiente cada vez mais horizontal e democrático. Neste novo espaço, as plataformas de aprendizagem e as técnicas de análise permitem que o educador conheça o educando de maneira inédita.

Elementos antes menosprezados, como a interação aluno-professor, agora devem ser introduzidos no sistema educacional. E, claro, cada vez mais as tecnologias digitais irão auxiliar os processos em sala de aula e no ensino virtual. Ao transformar o conteúdo no cerne do aprendizado, valendo-se de uma educação flexível e personalizada, permite-se focar naquilo que existe de mais elementar no universo acadêmico: o aprender.

Para saber maisconfira a íntegra da entrevista de Ronaldo Mota.