Blended Learning e Flipped Classroom: inovação dentro e fora da sala de aula

Blended Learning e Flipped Classroom: inovação dentro e fora da sala de aula

Lembra a última vez que usou uma enciclopédia ou um dicionário? A internet tornou esses itens bem menos usuais, o que demonstra que estamos vivendo novos tempos para o ensino. Agora, o conteúdo está em todos os lugares: dentro da sala de aula ou no computador de casa. A tecnologia facilitou o processo de aprendizado. E as metodologias ativas tornaram o ensino flexível, adaptável à realidade de cada estudante. Com métodos como blended learning e flipped classroom o aluno pode aprender assistindo uma videoaula pelo celular, por exemplo, enquanto se descola da casa para o estágio.

Harvard não é Harvard à toa. Referência global em qualidade de ensino, a universidade mais antiga dos Estados Unidos aposta em inovação para transformar seus alunos em profissionais-referência nas mais diversas áreas. Como? Aqui vai um segredo: eles também utilizam metodologias ativas – um processo de aprendizagem que desafio e encoraja o aluno na busca por conhecimento. Esses métodos são inovadores, mas não significa que sejam recentes. Pode parecer novidade, mas Harvard utiliza o método há mais de 40 anos.

A sistemática é simples: o ensino é viabilizado para dar autonomia aos estudantes. Colocando-os no centro do processo, os alunos são instigados a pensar e resolver problemas de forma independente e, ao mesmo tempo, compartilhada. As metodologias de blended learning (ou ensino híbrido) e flipped classroom (sala de aula invertida) formam profissionais mais engajados – e menos dependentes do professor. Ao docente, cabe o papel de gerenciar essa nova configuração, seja dentro ou fora da sala de aula. “Como resultado, temos uma aprendizagem personalizada e efetiva. Em longo prazo, os conteúdos estarão presentes na memória de longa duração do aluno”, afirma Graziella Matarazzo, pedagoga especialista em inovação.

Descobrindo métodos: estudante é o agente da aprendizagem
Blended learning é uma abordagem que propõe o uso da tecnologia em prol de um aprendizado personalizado. O hibridismo proporciona a quebra do ensino passivo, apontado hoje como um dos principais problemas da evasão escolar – e da própria educação. Com o blended learning, o ensino ganha um caráter colaborativo, no qual o aluno se organiza para aprender dentro e fora da sala de aula. Em casa, ele constrói conhecimento. Na companhia do professor e dos colegas, compartilha experiências e recebe orientação para seguir em frente. Um aprendizado combinado, que garante o aprendizado em um ritmo próprio, por meio de módulos assíncronos com suporte durante aulas presenciais síncronas.

Dentro do ensino híbrido, o flipped classroom se destaca como um dos métodos favoritos de gestores e alunos. Todo esse sucesso tem uma causa: o flipped classroom dá autonomia e instiga a criatividade de todos os envolvidos no processo – do estudante ao tutor. O aluno precisa acessar o conteúdo bem antes de chegar na instituição; e a aula serve para colocar tudo em prática, além de se relacionar e tirar dúvidas. “Assim, o educador pode focar em atividades colaborativas e participativas”, avalia Graziella.

A prática já é bem comum em escolas de idiomas, por exemplo. Funciona assim: a turma inicia um novo capítulo do conteúdo do livro de inglês. Em casa, eles acessam a plataforma, assistem a uma videoaula e praticam exercícios durante três ou quatro dias. Ao final da semana, a professora realiza dinâmicas de jogos e conversação simulando uma situação durante o encontro presencial. Os alunos precisam se articular para responder; e podem contar o apoio uns dos outros caso precisem de auxílio.

O objetivo da inversão sugere que o aluno compreenda o conteúdo antes de aplicá-lo. Assim, ele desenvolve um jeito próprio de aprender. Vale tudo, desde mapas mentais e resumos ou fichas coloridas até devorar a bibliografia sugerida na íntegra pelo tablet ou celular. E mais: está liberado estudar na madrugada ou em intervalos curtos de tempo, se for desse jeito que o aluno aprende melhor.

Tanto o ensino híbrido quanto a sala de aula invertida utilizam o melhor do treinamento online e presencial. Os vídeos, em especial, ganharam muito destaque na produção de conteúdo para alunos conectados. No Brasil, muitas instituições de ensino superior já colocaram a metodologia em prática. O Insper, em São Paulo, é uma delas. A escola de engenharias e negócios conta com aulas no formato flipped classroom desde 1997 – época em que a tecnologia da computação quase não oferecia recursos e era pouco difundida, demonstrando que, para inovar, basta querer.

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As metodologias ativas são indicadas para qualquer processo de ensino, desde cursos técnicos até treinamentos profissionais. Agora, a Fundação Lemann quer levar a metodologia para o ensino básico. Por meio de uma equipe de formadores educacionais, a instituição visita escolas públicas demonstrando as vantagens das práticas ativas.

Aplicação prática requer planejamento e estratégia
A implementação das metodologias ativas não chega a ser um processo complexo, mas requer estratégia, analisa Graziella. “Existem quatro áreas que precisam ser avaliadas. A primeira é a visão da escola sobre o uso das tecnologias, a segunda precisa considerar as competências dos atores envolvidos, em terceiro lugar, a disponibilidade dos recursos digitais e, por fim, a infraestrutura necessária”, afirma. Com o projeto viabilizado, a instituição deve investir na formação dos educadores.

A utilização de ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs) pode facilitar (e muito) a estreia do professor na sala de aula invertida. Ele deve saber explorar a criatividade dos alunos, promovendo inovação não só no método, mas na performance. A fluência dessa relação pode potencializar o desempenho da turma; e buscar novas formas até para resolver problemas e apresentar trabalhos, por exemplo.
Já as estratégias do hibridismo provam que o novo ensino pode se tornar acessível a todos – independentemente da situação financeira, do tempo disponível para estudo ou da região. O modelo de blended learning auxilia a aproximação entre educador e educando, proporciona mais interação com o conteúdo, e favorece o relacionamento entre os pares.

Do ponto de vista pedagógico, todos os envolvidos passam a se sentir integrados, em um ambiente convidativo à exploração do saber. A proporção entre conteúdo on-line e presencial é um ponto que precisa ser bem avaliado. Um bom canal de suporte para relacionamento entre colegas, tutores e docentes faz toda a diferença. Afinal, espera-se que eles interajam bastante pelos chats e fóruns de discussão por um longo tempo.