Aprendizagem: algo a se conhecer melhor

Aprendizagem: algo a se conhecer melhor

Atribui-se a Albert Einstein a frase: “Aprendizado é aquilo que fica após esquecermos o que nos foi ensinado”. Não poderia ter melhor síntese do que esta, quando nos referimos ao aprendizado efetivo. Na verdade, nem sequer deveríamos considerar como aprendizado aquilo que não fosse efetivo. Mas primeiro vamos entender por que é tão importante falar da efetividade do aprendizado.

Quando avaliamos as pesquisas realizadas com gestores de recursos humanos de empresas e associamos com as médias das notas obtidas pelos estudantes na prova do ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), podemos constatar, ainda que forma genérica, as seguintes evidências:

  1. O estudante de ensino superior brasileiro conclui a graduação tendo aprendido, em média, apenas 40% do que lhe foi ensinado ou do que se espera que lhe tenha sido ensinado (este percentual é obtido a partir da média das notas na prova do ENADE);
  2. Este mesmo estudante, apesar de ter conhecimento teórico de 40% do que estudou, não consegue colocar em prática e/ou resolver problemas em mais do que 10% das situações reais associadas aos conteúdos ministrados (informação obtida a partir dos testes e dinâmicas realizadas pelas empresas de recrutamento e seleção de trainees).

Além disto, os altos índices de evasão e insatisfação do estudante, que cresceram substancialmente na última década, bem como a percepção sobre a possível irrelevância de boa parte dos conteúdos que são ministrados, além das lacunas de competências na formação pessoal e profissional deste estudante, também são fatores que evidenciam o desgaste e anacronismo do atual sistema de educação.

A efetividade da escola em manter o bom funcionamento de uma sociedade industrial e burocrática, responde o porquê deste modelo ter resistido, por tanto tempo, a todas as críticas de pedagogos, educadores, neurocientistas e muitos outros. Ele foi útil, eficiente e bem-sucedido para o que a missão que lhe cabia cumprir.

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No entanto, a atual sociedade não está mais disposta a se comportar do mesmo modo que a antiga sociedade industrial, hierárquica e padronizada. O mundo de hoje está muito mais complexo e tem cada vez mais oportunidades de trabalho, mas cada vez menos empregos. Formar profissionais no modelo tradicional para um planeta em completa “mutação social” é, no mínimo, pouco eficiente, ou até mesmo, pouco relevante.

Por outro lado, vivemos um momento disruptivo na educação e ele está ocorrendo em função do avanço das tecnologias digitais da informação e comunicação (TDICs), mas a grande mola propulsora desta mudança disruptiva chama-se “acesso universal a informação”. Ainda que este acesso a informação tenha sido possibilitado pelo avanço tecnológico, capitaneado pelo desenvolvimento da internet, ele traz em sua essência questões mais profundas, que transcendem a evolução tecnológica.

Praticamente não existe mais nenhum tipo de informação técnica hoje no mundo que não seja acessível aos estudantes e, quase sempre, gratuita. No entanto, o volume de informações disponíveis é cada vez maior e pouco seletivo, exigindo do estudante um complexo conjunto de competências para transformar estas informações em conhecimento aplicável ao contexto, bem como utiliza-las para dar suporte ao desenvolvimento de novas competências.

O modelo formal de ensino, baseado em transmissão e retransmissão de informações, com o objetivo de “construir” conhecimento pelo acúmulo destas informações formando um “corpo de conhecimentos” teóricos e, posteriormente, dar aplicabilidade, quando do momento do estágio e do exercício da profissão, está em total desacordo com a dinâmica da estrutura contemporânea das profissões e da vida na sociedade atual.

Atualmente, o aprendizado passou a ser visto como um processo ativo de dar sentido à informação, aplicando, comparando, analisando, avaliando, descrevendo, debatendo, classificando, criticando, contextualizando e transformando a informação recebida. Em síntese, sabendo agir a partir da informação, primeiro transformando em conhecimento e, depois, em competência.

Na área da educação, o foco das pesquisas pedagógicas e andragógicas se concentra em compreender como as pessoas irão aprender e se manterem atualizadas no futuro próximo. Isto inclui o que elas querem e precisam aprender; como elas vão aprender; por quais meios e como isto será mensurado. Nesta era do conhecimento e da incerteza, o que interessa são pessoas capazes de entender a complexidade dos problemas cotidianos e traçar estratégias adequadas para lidar com eles, adaptando-se constantemente às mudanças tecnológicas em geral e ao crescimento exponencial da informação.