EAD na área da saúde: prognóstico é favorável

A demanda pela educação a distância (EaD) na área da saúde está crescendo. O interesse por novos modelos educativos foi um dos temas de destaque do 23º Congresso Internacional ABED de Educação à Distância (CIAED), realizado em setembro, em Foz do Iguaçu. Na ocasião, a mesa-redonda “Formação em Saúde e o Uso da Modalidade à Distância” discutiu a mediação tecnológica na formação educacional de enfermeiros, médicos e demais profissionais, através dos cursos de saúde a distância.

Instituições renomadas, como o Hospital Israelita Albert Einsten, de São Paulo, já oferecem cursos de saúde a distância parciais para formação e cursos totalmente a distância na atualização de estudantes e profissionais. Como resultado, os alunos estão experimentando a eficácia da qualificação de maneira totalmente inovadora.

Mudanças provocaram alguns equívocos

Em maio deste ano, o Ministério da Educação (MEC) anunciou o novo Marco Regulatório da Educação a Distância. Com a novidade, as universidades podem ofertar cursos totalmente a distância. Entretanto, as Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de graduação na área da saúde exigem que atividades como estágios, avaliações, práticas de laboratório e defesa de trabalhos sejam realizadas presencialmente.

Enquanto algumas entidades se mantém contrárias à implementação da educação a distância, divulgando que os cursos seriam feitos exclusivamente na plataforma online, a Associação Brasileira de Educação à Distância (ABED) trabalha para esclarecer alguns mal entendidos. Seja na sede da instituição de ensino, nos polos de educação a distância ou em ambiente profissional, o aluno deverá, sim, praticar fora do mundo virtual.

Em nota, a entidade afirmou que há um equívoco na interpretação do que é a metodologia de cursos de saúde a distância: “são cursos semipresenciais, com oferta em geral entre 40 a 60% da carga horária presencial”. Desta forma, a integração do ensino online com a prática acadêmica permanece como premissa para a qualidade do ensino.

Diretor do Grupo A e mediador do debate na palestra do CIAED, Gustavo Hoffman vê com otimismo e equilíbrio a integração da tecnologia ao ensino em saúde. “É provável que adotemos um sistema que não seja nem 100% presencial, nem totalmente a distância. Vamos utilizar a tecnologia dentro e fora da sala de aula”, aposta.

Albert Einstein: inovação no DNA

Considerado o melhor da América Latina, o hospital Albert Einstein oferece, desde 2016, cursos de atualização – além dos cursos de graduação presenciais com disciplinas EaD. O superintendente do setor de Ensino do hospital, Felipe Spinelli de Carvalho, apresentou o quadro positivo do ensino a distância aplicado à realidade do mercado e da demanda profissional durante o CIAED.

Criado inicialmente para a qualificação interna, o projeto atende 13 mil funcionários, que realizam mais de 728 mil horas de treinamento por ano. Eles têm acesso, ainda, a mais de 500 conteúdos no formato e-learning. Nos materiais online, são 200 conteúdos disponibilizados de maneira totalmente gratuita, que somam 1,6 milhões de acessos em 3 anos.

Mas o projeto evoluiu. Hoje, é aberto ao público e capacita mais de 8 mil alunos de fora da instituição. Durante apresentação, Carvalho demonstrou como a tecnologia está auxiliando dinâmicas mais ativas de ensino. “As metodologias e ferramentas, como uso de atores e robôs realistas, além da realidade virtual e aumentada, permitem a imersão de alunos em ambientes hospitalares de forma segura”, afirma.

Doutor em Nefrologia, médico e coordenador do curso de medicina do Albert Einstein, Júlio César Martins Monte avalia a metodologia de cursos de saúde a distância de maneira positiva. Segundo ele, as disciplinas a distância eliminaram o despreparo para as aulas práticas. “É preciso peneirar, evitar redundância, abrir áreas para implementar metodologias para darmos um respiro ao aluno. Não adianta querer que ele chegue preparado se só fica em sala”, observa Monte.

Quanto à efetividade da profissionalização, Carvalho garante que as ferramentas permitem o aprendizado colaborativo, com conteúdo de profundidade e relevante. “Essas estratégias permitem análises individualizadas do conhecimento. Elas possibilitam, ainda, que o ensino seja entregue de forma personalizada, oferecendo o melhor desenvolvimento possível de cada aluno e profissional”, assegura o superintendente do hospital.